Home page

Home page Arquivo Juntos

Juntos com o CVS

 

Juntos, n. 75 - 2002

 

Editorial

Em silêncio para contemplar (A.M. Lanari, sodc)
Nos dias 28 e 29 de Setembro, alguns de nós, encontramo-nos para participar na Escola Associativa no sentido de, juntos, reflectir e meditar sobre a experiência particular que como membros do Centro Voluntários do Sofrimento somos chamados a viver dentro da nossa “tenda interior”: “os sete graus do silêncio”. Mons. Novarese propôs esta experiência espiritual aos Silenciosos Operários da Cruz, este ano ela foi também proposta pela Direcção Geral a todos os aderentes ao CVS.

Com certeza, esta não é nenhuma novidade, o próprio Jesus nos disse: “Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te” (Mt. 6, 6).

Esta poderia ser a atitude a tomar para nos prepararmos para a vinda do Senhor: aprender a entrar no íntimo de nós mesmos, fechando a porta da fantasia, da memória, das coisas que nos ocupam e nos preocupam, para entrar num perfeito silêncio interior, um silêncio que ama, que encontra Deus, que se deixa encontrar por Deus e que escuta aquilo que Deus quer manifestar

.

      

Um Guia que continua

RIQUEZAS DESCONHECIDAS (A.Aufiero)
Mons. Luís Novarese pede que nos ajudemos a olhar em frente e a enfrentar o futuro. Interroga também sobre quais sejam as prioridades nas quais fazer convergir o coração da pessoa que sofre e do seu ministério. Ajuda-nos a perceber que há aspectos concretos e urgentes no nosso trabalho apostólico a reconsiderar e, certamente em não pequena medida, a converter, querendo enfrentar de modo mais adequado o presente e o futuro. Para tanto, da nossa parte não devemos subestimar nem a importância, nem as dificuldades, nem o tempo que tal conversão pastoral exigirá. Trata-se, de facto, de embaralhar as cartas dos nossos hábitos e costumes pastorais. A conversão pastoral exige recuperar momentos e lugares que revelam a nossa pertença originária pela qual respondemos sim ao apostolado, isto é a transmissão do evangelho do sofrimento e a educação a vivê-lo.

       

Para reflectir

Lectio (Act.)

Algumas reflexões

 

  

 

 

Acção Missionária em Angola

Um Povo que sofre...um Povo de fé (André Antunes Batista)

O povo angolano é um povo que sofre, mas também um povo que dá um grande testemunho de fé e de esperança.

Há poucas semanas regressei de uma acção missionária em Angola. Foram muito variadas as experiências, os sentimentos... Mas o que, de facto, mais impressiona quem está embrenhado numa cultura de tipo ocidental como a nossa, é realmente a aparente contradição entre as degradantes condições de vida do povo angolano humilde, por um lado, e ao mesmo tempo a sua alegria e generosidade. A pobreza e a felicidade parecem proporcionais, andam de mão dada.

As próprias assimetrias sociais verdadeiramente gritantes e até revoltantes no seio da sociedade angolana, confirmam o facto de a generosidade e a partilha serem próprios dos mais humildes e dos mais pobres, por mais contraditório que isto pareça. Quanto mais nos afastamos das cidades e convivemos com as gentes simples das aldeias do interior, mais experimentamos aquela alegria, aquela abertura de espírito que é completamente impossível de traduzir.

   

VISITAR O DOENTE (Luciano Manicardi)

Visitar uma pessoa doente é tarefa delicada e arriscada. Facilmente uma suposta boa acção pode transformar-se em expressão de poder e da fuga do limite, marcando negativamente a experiência de quem já está a sofrer.

Gratuidade e liberdade podem pelo contrário salvar o gesto, pondo ambos os interlocutores ao mesmo nível e deixando que seja a debilidade a ditar os tempos e os modos do encontro.

   

UMA IDEIA NUMA SIMPLES HISTÓRIA

O homenzinho de sal andava a dar a volta pelo mundo para o conhecer, e no fim chegou junto do mar: «Quem és?». - «Sou o mar». - «O que é o mar?». - «Sou eu». - «Mas, não compreendo». - «Então mete o teu pé na água por um pouquinho». O homenzinho de sal fez o que lhe disse o mar e depois retirou-o logo: «Tu tiraste-me qualquer coisa». - «Tiveste de dar-me alguma coisa para puderes conhecer-me. Queres conhecer-me ainda melhor?». E o homenzinho de sal meteu-se cada vez mais dentro do mar, dissolveu-se sempre cada vez mais e assim ficou a conhecer o mar cada vez melhor.

 

  • A primeira percepção que tive ao ler esta história foi, que se queremos conhecer alguém temos de nos dar a conhecer primeiro, ou seja, quanto mais nos entregamos mais vamos obter dos outros;

  • Acho que é necessário eu dar uma parte de mim para conhecer os outros, porque para conhecer alguém é necessário ir ao seu encontro, aqui, está já um primeiro passo para conhecer os outros, logo já tive que dar algo de mim, dar-me a conhecer;

  • Esta história ajuda-nos a reflectir, no facto de que se queremos conhecer Deus temos que ir ao seu encontro e quanto mais a Ele nos entregarmos, mais o conhecemos, mais entramos em sua Graça;

Délia Carina da Silva Tomás

Obrigada Délia!

Agora a nossa história assume o valor do real!

  

Estatuto CVS

UMA “PRESENÇA QUE ACOMPANHA”

O artigo 6 do Estatuto do Centro Voluntários do Sofrimento afirma que «A metodologia pastoral do CVS realiza a “presença que acompanha” e conduz à salvação, característica do passo evangélico sobre os discípulos de Emaús (Lc. 24,13-35), que Mons. Luís Novarese, afirmou como particular missão dos que sofrem: «o doente por meio do doente com a ajuda do irmão são». A mensagem mariana de Lourdes e Fátima - conclui o artigo - oferece ume releitura original de uma tal presença como estilo pastoral e critério de acção apostólica».

    

CVS “NON STOP...”

No final deste ano ao viver muitas e diferentes experiências, sentimos um profundo desejo de agradecer o Senhor por tudo aquilo que fomos aprendendo e pela Sua presença que descobrimos junto de nós.

O CVS em retiro: De 9 a 13 de Setembro o CVS esteve a viver o seu retiro anual. Para participantes e animadores foi uma experiência enriquecedora de aprofundamento de fé e de aproximação cada vez mais profunda do Senhor e Mestre Jesus.

Para mim, ao dar o meu contributo na equipa de animação, foi uma vivência positiva da presença de Deus que se manifesta na simplicidade e na grandeza de vida daqueles que, experimentando a realidade do sofrimento, vivem a fé e o amor a Deus de uma forma intensa e extraordinária. São a imagem perfeita de Cristo sofredor, que vivendo o sofrimento o torna redentor pela forma como o entende, como o vive e como o transmite. Pela presença e pela simples forma de estar deixam evidenciar uma serenidade resplandecente num sorriso transparente, uma paz interior e uma harmonia dadora de uma felicidade que trasborda e que contagia. (Fernando Carvalho)

Abrir portas e janelas: Nestes quatro dias eu percebi que por vezes andamos distanciados de Deus, e o quanto vivemos sem Lhe dar a atenção que merece. Agimos um pouco como Zaqueu que tinha uma vida cheia de crimes, mas mesmo assim Jesus, contra vontade de todos, quis ficar em sua casa, quis que ele abrisse as portas do seu coração. E como Pedro que não conseguiu confiar, só quando viu que precisava e Jesus lhe deu a mão é que acreditou. Como ele, nós muitas vezes fechamos a porta e as janelas de nossa casa, somos pedras mortas, porque o medo toma conta de nós. Percebi que antes de nos encontrarmos com Deus temos que nos encontrar connosco próprios para aos poucos fazer com que os nossos medos tenham muito menos importância. (Cátia Vanessa)

     

SILENCIOSOS OPERÁRIOS DA CRUZ (Angela Petitti, sodc)

Conjugar o verbo “trabalhar”.

Chamamo-nos Silenciosos Operários da Cruz. Já alguma vez vos perguntastes porquê operários? A palavra é clara; indica alguém que trabalha, que cumpre uma obra. Poderíamos  escrever muitas páginas sobre o sentido do trabalho, sobre a sua utilidade e dignidade, sobre a sua necessidade e precariedade, sobre o sentido de opressão e de libertação que ele exercita sobre o homem. Para não falar de todos os problemas que estão ligados ao trabalho, problemas de ordem psicológica, social, religiosa, relacional. Trata-se de uma realidade que envolve a pessoa praticamente em todos os níveis do seu ser e no inteiro arco da sua vida. Poderíamos pensar que o trabalho é uma actividade totalmente humana.


Ultimo aggiornamento 2005/12/06