Ficha 9
O santuário da presença (Ex 40, 34-38)
Na escuta de ti mesmo
Ao acabar o ano pastoral verifiquemos o que há no coração: a glória de Deus encheu-o como enchia o santuário? Somos uma tenda onde Deus encontra espaço e acolhimento? Estamos disponíveis a mover-nos como Deus se move, dispostos a segui-Lo nas mudanças necessárias por um caminho de crescimento em vista a uma comunhão verdadeira e profunda com Ele e com os irmãos?
Na escuta da Palavra
«34Então, a nuvem cobriu a tenda da reunião, e a majestade do Senhor encheu o santuário. 35Moisés já não pôde entrar na tenda da reunião, porque a nuvem pairava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o santuário. 36Quando a nuvem se retirava de cima do santuário, os filhos de Israel partiam de viagem, 37e quando a nuvem não se retirava, não partiam, até ao instante em que ela se elevava. 38Porque uma nuvem do Senhor cobria o santuário durante o dia, e um fogo brilhava ali durante a noite, aos olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas caminhadas» (Ex 40, 34-38).
Pontos de lectio sobre o texto
A Glória do Senhor toma posse da Sua “casa” no meio do povo de Israel (cfr. vv. 34-35), guiando-o durante todo o resto da caminhada (vv. 36-38). É o resultado da aliança do Sinai entre o Senhor e o povo.
«A glória habita o santuário»: desta vez Deus não faz chover o maná, mas desce Ele mesmo com a Sua glória, visível na nuvem. A partir de agora inicia-se um modo novo de encontrar Deus: o diálogo entre Moisés e Deus não será mais no monte, mas na tenda da reunião. Agora a presença da nuvem não será esporádica, ou ligada ao monte Sinai, mas é permanente no meio da casa de Israel.
«A nuvem guia o povo»: a nuvem indica quando é o momento das várias paragens e repartidas dos israelitas. A imagem dessa presença-guia, quer indicar a viagem segura do povo, porque o Senhor caminha com Israel. Trata-se duma companhia que, mesmo depois, na terra prometida, continuará a traçar o caminho.
Avaliação e programação do apostolado.
Como no Génesis Deus predispõe o mundo a ser a habitação do homem, assim Moisés prepara primeiro a tenda e depois o santuário, para que seja a casa de Deus. O culto torna-se um prolongamento da actividade criadora de Deus, e a sua observância permite a cada israelita de passar do caos para a ordem da sua existência, da solidão ao reconhecimento de ser parte duma comunidade. Deus, depois de ter oferecido ao povo o Seu próprio nome, oferece a Sua Presença; sem medo de se comprometer.
Como Maria habitada pela Trindade, assim a Igreja, depois do Pentecostes, torna-se a nova tenda do testemunho, onde é possível encontrar o Ressuscitado. Eis tudo o que o Êxodo nos confia: Deus libertou Israel para ser o seu companheiro durante todas as suas caminhadas.
Seria interessante interrogar o povo logo após se ter estabelecido na Terra prometida: como lês agora a tua caminhada no deserto, experiência fatigante, cheia de saudades e murmurações, mas também como caminhada à descoberta da própria verdade e do mistério de Deus? A resposta poderia estar na oferta de quatro atitudes que estão na base do nosso caminho de fé e de caminhada da vida:
- a primeira é aquela de viver o presente. Estamos, frequentemente, lançados para o futuro, para aquilo que acontecerá. Às vezes é necessário, mas a ansiedade pelo amanhã não nos deve nunca tirar do presente, que então pode ser também lugar de serena programação. Há um imperativo muito sábio no livro Imitação de Cristo: «Faz aquilo que fazes!». Escreve, canta, lê, come, sofre, reza… mas faz aquilo que fazes. É uma receita salutar, e sabemos que muitas das nossas preocupações têm a sua origem no facto de não sabermos concentrar-nos no presente.
- A segunda atitude é a espera serena. Estamos sempre à espera de alguma coisa, pelo facto do nosso presente estar aberto para o futuro. Tratar-se-á de acontecimentos ou mudanças que desejamos para a nossa vida ou que deveremos enfrentar; o importante é saber esperar com paz.
- A terceira atitude recomendada também pela experiência da prova é a paciência, a capacidade de suportar os tempos longos. Isso também em relação ao desejo exagerado de ver os frutos do nosso empenho apostólico.
- Por fim, devemos ter a consciência do dom de Deus que é o hoje e do dom dos irmãos com quem caminhamos seguindo o Senhor. Dessa consciencialização nascem a gratidão, o louvor, o reconhecimento, que frequentemente esquecemos.