Centro Voluntários do Sofrimento

EM TODAS AS SUAS CAMINHADAS.

O Êxodo: guardar a Aliança, viver a comunhão.


Um caminho espiritual e apostólico da pessoa doente dentro da comunidade cristã

Fichas para os encontros de grupo ano 2004-2005


     

Ficha 8

   

O rosto no rosto (Ex 34, 1-11.27-35)

 

Na escuta de ti mesmo

Faz-nos reflectir muito o rosto de Moisés que se tornou resplandecente depois do encontro com Deus. Diante do espelho que é o nosso dia, não espelhamos suficientemente a glória de Deus. Quem nos observar pode encontrar dificuldade em notar como resplandecemos de alegria. O encontro com o Senhor deixa-nos como antes? A observância dos Seus mandamentos, produz fruto? As palavras da aliança escritas na pedra, são só escritas nos nossos livros e não nos nossos corações?

 

Na escuta da Palavra

«1O Senhor disse a Moisés: “Talha duas tábuas de pedra, iguais às primeiras e escreverei nelas as palavras que se encontravam nas primeiras tábuas, que tu quebraste. 2Prepara-te para subires, amanhã cedo, o monte Sinai. Apresentar-te-ás diante de mim no vértice do monte. 3Que ninguém suba contigo e que ninguém esteja em parte alguma do monte; que não haja nem ovelhas nem bois a pastar nas proximidades”. 4Moisés talhou, pois, duas tábuas de pedra iguais às primeiras. No dia seguinte de manhã subiu o monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, e levava na mão as duas tábuas de pedra. 5O Senhor desceu na nuvem e, passando junto dele, pronunciou o nome do Senhor. 6O Senhor passou em frente dele e exclamou: “Senhor! Senhor! Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e de fidelidade, 7que mantém a sua graça até à milésima geração, que perdoa a iniquidade, a rebeldia e o pecado, mas não declara inocente o culpado e pune o crime dos pais nos filhos, e nos filhos dos seus filhos até à terceira e à quarta geração”. 8Moisés curvou-se imediatamente até ao chão e prostrou-se em adoração, 9dizendo: “Se, entretanto, alcancei graça aos teus olhos, ó Senhor, vem, por favor, caminhar no meio de nós, pois este é um povo de cerviz dura. Mas perdoa-nos as nossas iniquidades e os nossos pecados e aceita-nos como propriedade tua”.

10Deus respondeu: “Vou fazer uma aliança contigo: na presença de todo o povo, realizarei prodígios, como jamais se fizeram em parte alguma, nem em nenhuma nação; e o povo que te cerca há-de ver então a obra do Senhor, porque espantosas são as coisas que vou fazer por teu intermédio. 11Ouve com atenção o que hoje te ordeno...”.

27O Senhor disse a Moisés: “Regista por escrito estas palavras, porque é de acordo com elas que Eu faço a aliança contigo e com Israel”.

28Moisés permaneceu junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.

29Moisés desceu do monte Sinai, trazendo na mão as duas tábuas do testemunho. Não sabia, enquanto descia o monte, que a pele do seu rosto resplandecia, depois de ter falado com Deus. 30Quando Aarão e todos os filhos de Israel o viram, notaram que a pele do seu rosto se tornara resplandecente e não se atreveram a aproximar-se dele. 31Moisés, porém, chamou-os; Aarão e todos os chefes da assembleia foram ter com ele, e ele falou-lhes. 32Em seguida, aproximaram-se todos os filhos de Israel, aos quais transmitiu todas as ordens que tinha recebido do Senhor, no monte Sinai. 33Depois de ter acabado de falar com eles, Moisés cobriu o rosto com um véu. 34Ao entrar para estar na presença do Senhor e falar com Ele, Moisés retirava o véu até sair. Então, depois de sair, comunicava aos filhos de Israel as ordens recebidas. 35Os filhos de Israel viam resplandecer a face de Moisés que, em seguida, tornava a colocar o véu sobre o rosto, até entrar novamente para falar com Deus» (Ex 34, 1-11.27-35).

 

Pontos de lectio sobre o texto

É o último encontro sobre o Sinai, em que o Senhor renova a aliança escrevendo outra vez as tábuas da lei e revela novamente o Seu Nome definindo-se «Deus misericordioso e clemente». A cena conclui-se com a transfiguração de Moisés. O Senhor reconfirma o Seu desejo de recomeçar a aventura da aliança com o Seu povo e será mais uma vez o Seu rosto, no rosto de Moisés, a guiar Israel.

«Deus misericordioso e clemente»: esta auto-apresentação é a síntese do ser e do agir de Deus. Neste título, Deus apresenta-se não somente como o Senhor de Israel, mas de toda a humanidade; e o Senhor exprime o Seu profundo envolvimento diante da fragilidade ou do sofrimento da pessoa amada.

«Cheio de bondade e de fidelidade»: significa a coerência de Deus, a Sua afabilidade, o Seu não trair a si mesmo e as Suas promessas, não obstante a rejeição dos homens. Também nas afirmações que se seguem, no texto, podemos dizer que o favor de Deus é mais uma vez o Seu amor, que se oferece como abrigo disponível para sempre, diante de todas as situações ou de todas as culpas, transgressões e pecados.

«A pele do seu rosto resplandecia»: é a extraordinária transfiguração de Moisés ao descer do monte. No rosto de Moisés brilha o esplendor e a potência de Deus e explica-se a causa: porque tinha «falado com Deus» (v. 29). Moisés reflecte Deus, torna-se ele uma sarça ardente, e esta experiência de contemplação e escuta foi revivida por todo o povo.

 

Avaliação e programação do apostolado.

Devemos tomar consciência do nosso apostolado que está enraizado na experiência do mistério pascal. O nosso carisma realiza por meio do sofrimento oferecido pela pessoa doente, a participação na morte e ressurreição de Jesus (cfr. Estatuto CVS, art. 2) e dispõe-nos a deixar operar em nós o dom de salvação, a aceitar as condições e as implicações deste evento único e revolucionário. A experiência apostólica não é um “fazer” alguma coisa, mas é deixarmo-nos amar. Não tenhamos medo de ficar em silêncio diante dos sofrimentos dos outros, porque é o Senhor que fala com todo o Seu peso de amor. Somos chamados a ser sacrifício vivente, culto espiritual oferecendo o nosso corpo. E dizer o nosso corpo significa oferecer a nossa vida em toda a sua dimensão física, em toda a sua extensão, o dia e a noite, a juventude e a velhice, a saúde e a doença, o sucesso e o insucesso, a alegria e a dor, o entusiasmo e o desencorajamento. Tudo deve ser dado como sacrifício vivente, oferecendo-nos a Deus como Jesus se deu a nós e ao Pai.

Uma atenção particular merece o rosto radiante de Moisés. Podemos experimentar essa transfiguração: o mistério pascal transforma os traços do nosso rosto tornando-o cada vez mais imagem do rosto glorioso da Trindade. O rosto resplandecente de Moisés é o rosto de quem saboreia Deus. Vivemos de verdade o gosto de saborear Jesus Cristo? Vivemos o evangelho de forma total como os muitos semeadores de esperança? O nosso rosto de pessoas que pertencem ao CVS é um rosto de ressuscitados, capazes de entusiasmar os outros ao encontro com Cristo, ou é o de pessoas tímidas, ácidas e entristecidas?