Centro Voluntários do Sofrimento

EM TODAS AS SUAS CAMINHADAS.

O Êxodo: guardar a Aliança, viver a comunhão.


Um caminho espiritual e apostólico da pessoa doente dentro da comunidade cristã

Fichas para os encontros de grupo ano 2004-2005


     

Ficha 5

   

O decálogo (Ex 20, 1-17)

 

Na escuta de ti mesmo

A tensão entre autogestão e subordinação produz a luta perene entre aceitação e subtracção às regras. Estar subordinados a Deus, porém, não é humilhante como sê-lo dos homens. Estar subordinados significa acolher a identidade de Deus (Eu sou o Senhor) e viver o Seu primado de amor e de bênção. Poderíamos perguntar-nos: porquê desejamos estar no primeiro lugar (mesmo antes de Deus), porquê nos cansamos para alcançar metas desoladoras, porquê fabricamos ídolos que não nos podem salvar?

 

Na escuta da Palavra

«1Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo: 2”Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão. 3Não haverá para ti outros deuses na minha presença. 4Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas. 5Não te prostrarás diante dessas coisas e não as servirás, porque Eu, o Senhor, teu Deus, sou um Deus zeloso, que castigo o pecado dos pais nos filhos até à terceira e à quarta geração, para aqueles que me odeiam, 6mas que trato com bondade até à milésima geração aqueles que amam e guardam os meus mandamentos. 7Não usarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não deixa impune aquele que usa o seu nome em vão. 8Recorda-te do dia de sábado, para o santificar. 9Trabalharás durante seis dias e farás todo o teu trabalho. 10Mas o sétimo dia é o sábado consagrado ao Senhor, teu Deus. Não farás trabalho algum, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva, os teus animais, o estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que está neles, mas descansou no sétimo dia. Por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e santificou-o. 12Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá. 13Não matarás. 14Não cometerás adultério. 15Não roubarás. 16Não responderás contra o teu próximo como testemunha mentirosa. 17Não desejarás a casa do teu próximo. Não desejarás a mulher do teu próximo, o seu servo, a sua serva, o seu boi, o seu burro, e tudo o que é do teu próximo”» (Ex 20, 1-17).

 

Pontos de lectio sobre o texto

A cena revela a extraordinariedade do que está para acontecer: Deus fala directamente e a referência a «todas estas palavras» diz algo que foi dito de forma cumprida e engloba a totalidade das relações. O decálogo abre-se com uma declaração solene da paternidade de Deus (cf. V. 2), com a importante afirmação que o êxodo não foi um evento qualquer, mas a libertação e o nascimento de Israel como povo e sujeito de direito. Deus pode dar as normas, os mandamentos, os preceitos, porque está na origem da vida de Israel.

Depois desta declaração de paternidade, temos um texto de 14 imperativos que, na mentalidade hebraica, é o número perfeito (7+7), para indicar que abrange a totalidade da existência nas relações com Deus e com o próximo:

vv. 2-7: relação com o Senhor único e verdadeiro Deus;

vv. 8-12: os preceitos sobre o Sábado e sobre a honra dos pais;

vv. 13-17: a relação com o próximo.

Esta formulação é importante, porque impede de isolar os direitos de Deus dos do próximo.

 

Avaliação e programação do apostolado.

O Senhor, ao entregar o Decálogo, quer oferecer ao povo a possibilidade concreta de criar unidade, de dar dinamismo, e de plasmar o agir do povo em relação ao agir de Deus, de maneira que os traços do Seu rosto se reflectissem no rosto do povo.

Nesta linha, a nós, como ao povo de Israel, é-nos pedido uma especial vigilância diante de algumas tentações que ameaçam a comunhão:

- o isolamento (faço sozinho), a indiferença (não me importa nada dos outros), a pura observação (fico a ver os outros), a suficiência (não preciso de ninguém)… Para vencer essas tentações precisa sobretudo, ser conscientes que o nosso apostolado é associado, tem uma radical “forma comunitária” e pode ser desenvolvido somente como uma “obra colectiva” (= o meu Grupo de Vanguarda). Estamos todos relacionados por isso “confiados” uns aos outros.

- A frieza, a distância, a desestima, a inveja, a difamação, as divisões, as rivalidades, a rejeição do perdão: atitudes que se opõem ao nosso tornar-nos comunidade e que contradizem os mesmos mandamentos. Neste sentido, a consciência da nossa fraqueza e do nosso pecado, dizem-nos que não há comunhão sem reconciliação, e não há reconciliação sem perdão.

 

Para nos enraizar cada vez mais na comunhão-dom, é-nos pedido um empenho convicto e responsável pelo sinal da concretividade e da operosidade:

- não esquecer que a nossa vida apostólica experimenta-se e torna-se operativa com aquelas pessoas com que nos encontramos mais frequentemente;

- a presença activa no Conselho Pastoral da paróquia e na vida da comunidade paroquial;

- a participação nos encontros formativos do CVS, conscientes que de cada um depende o bem de todos;

- o esforço por participar nos Exercícios Espirituais do CVS.