Ficha 4
A Aliança do Sinai (Ex 19, 1-8)
Na escuta de ti mesmo
Na nossa interioridade ressoa a voz de Deus juntamente a muitas outras vozes. As vozes do mundo transtornam; a de Deus é leve e liberta, como um bater de asas e eleva-nos para o alto nos espaços da aliança recíproca. Façamos atenção em fazê-la ressoar, leve e exigente nos seus pedidos, humilde e confortante nas suas promessas.
Na escuta da Palavra
«1Na terceira Lua-nova depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egipto, naquele mesmo dia, chegaram ao deserto do Sinai. 2Partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto. Israel acampou lá, diante da montanha. 3Moisés subiu até junto de Deus. Da montanha o Senhor chamou-o, dizendo: “Assim dirás à casa de Jacob e declararás aos filhos de Israel: 4‘Vós vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe até mim. 5E agora, se escutardes bem a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade particular entre todos os povos, porque é minha a terra inteira. 6Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.’ Estas são as palavras que transmitirás aos filhos de Israel”. 7Moisés veio e chamou os anciãos do povo e pôs diante deles todas estas palavras, como o Senhor lhe tinha ordenado. 8Todo o povo, unânime, respondeu, dizendo: “Tudo o que o Senhor disse, nós o faremos”. E Moisés transmitiu ao Senhor as palavras do povo» (Ex 19, 1-8).
Pontos de lectio sobre o texto
O povo de Israel chega ao deserto do Sinai. O realce «naquele mesmo dia» reforça a importância duma data extraordinária, que ficará na memória de todos. O acampamento foi posto na base da montanha. A montanha tem um valor simbólico porque, abarcando os três espaços do céu, da terra e do mundo subterrâneo, torna-se o lugar privilegiado onde se manifesta a divindade.
Deus fala a Moisés e apresenta um projecto que abrange o passado (v. 4), o presente (v. 5) e o futuro (v. 6) da história do povo.
O passado de Israel: como credenciais para o povo, Deus apresenta os factos concretos de que os Israelitas foram testemunha. Ele salvou Israel do Egipto elevando-o sobre «asas de águias». As asas são o símbolo da intimidade e da protecção. A meta para o povo torna-se passar um tempo a instaurar uma relação pessoal com o Senhor. A verdadeira terra prometida é a intimidade com Deus.
O presente de Israel: aqui o Senhor propõe a Sua aliança, sem a impor. Trata-se de um acordo que depende do consentimento e da fidelidade das duas partes. Deus interpela o povo como um sujeito livre e adulto, plenamente responsável pelo seu futuro. As condições pedidas são «escutar bem a voz» e «guardar a aliança».
O futuro de Israel: se Israel for fiel à aliança, Deus transforma-lo-á em «Sua propriedade» entre todos os povos, «num reino de sacerdotes» e «numa nação santa».
A proposta do Senhor, mediada por Moisés, foi aceite pelo povo de modo unânime e entusiasta, sem objecções em relação à proposta do Senhor.
Avaliação e programação do apostolado.
Deus não obriga, nem chantageia o povo a estreitar a aliança com Ele. A proposta de aliança vem duma experiência concreta: «Vós vistes». Cada vocação e cada verdadeira liberdade joga-se sobre um terreno duma profunda inteligência dos factos. Onde isso acontece, faz explodir apaixonadas adesões, testemunhos credíveis, como aqueles das muitas testemunhas de esperança que ainda hoje nos guiam com o seu exemplo. Experimentemos repensar os momentos em que o Senhor nos levou «sobre as Suas asas» deixando-nos saborear o Seu amor por nós e pela a Sua Igreja.
Israel, de «não povo», com a promessa da aliança é chamado a tornar-se «reino de sacerdotes» e «nação santa». Esta identidade resume-se e manifesta-se na relação vital entre comunhão e evangelização. Perguntemo-nos que caminhos de santidade o Senhor abre hoje ao nosso grupo e que modelos de evangelização e de apostolado nos pede para realizar.
Na base da fidelidade à aliança está o pedido do Senhor para que escutem a sua voz e a guardem. Ouvir e guardar a Palavra do Senhor encontram em Maria o seu perfeito cumprimento. Abrindo o livro da nossa vida, escutemos aquelas palavras que o Senhor nos revelou nos momentos difíceis e de sofrimento, para aprender a guardá-las como garantia da nossa fidelidade à aliança com Ele.