Centro Voluntários do Sofrimento

EM TODAS AS SUAS CAMINHADAS.

O Êxodo: guardar a Aliança, viver a comunhão.


Um caminho espiritual e apostólico da pessoa doente dentro da comunidade cristã

Fichas para os encontros de grupo ano 2004-2005


     

Ficha 1

   

A paragem para descanso em Elim (Ex 15, 22-27)

 

Na escuta de ti mesmo

Está a iniciar mais um ano pastoral e o coração poderá encontrar-se na condição das águas de Mara: imbebíveis porque demasiado amargas. O quê poderá ter tornado a vida amarga ao ponto de ninguém poder arriscar a dessedentar-se junto de nós? Se em vez de transparecer doçura transparecêssemos amargura, que lucro poderia resultar daí?

  

Na escuta da Palavra

«22Moisés fez partir Israel do Mar dos Juncos, e saíram para o deserto de Chur. Caminharam três dias no deserto e não encontraram água. 23Chegaram a Mara, mas não puderam beber a água de Mara, porque era amarga. Por isso se chamou àquele lugar Mara. 24O povo murmurou contra Moisés, dizendo: “Que beberemos?”. 25E ele clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um tronco que ele lançou à água; e a água tornou-se doce. Foi lá que o Senhor deu ao povo um preceito e uma norma; foi lá que o pôs à prova. 26E disse: “Se escutares com atenção a voz do Senhor, teu Deus, e se fizeres o que é recto aos seus olhos, se deres ouvidos aos seus mandamentos e se guardares todos os seus preceitos, não farei vir sobre ti nenhum dos flagelos que infligi ao Egipto, porque Eu sou o Senhor que te cura”. 27Chegaram a Elim, onde estão doze nascentes de água e setenta palmeiras, e acamparam ali à beira da água» (Ex 15, 22-27).

  

Pontos de lectio sobre o texto

O início deste ano pastoral é como que, uma paragem de descanso no caminho. Todos nós, tal como o povo de Israel que caminha no deserto, chegamos a Elim «onde estão doze nascentes de água e setenta palmeiras, e acamparam ali à beira da água» (Ex 15, 27).

Depois da passagem do mar Vermelho, experiência rejubilante de vitória, e depois da paragem em Mara, experiência esgotante de derrota moral e de humilhação, o oásis de Elim, com as suas setenta palmeiras e as suas doze nascentes, oferece ao povo de Israel em caminho, a oportunidade para descansar e para fazer uma avaliação: onde estamos? O que vivemos e experimentámos? O que nos espera? Em que ponto estamos com os nossos esforços por dar um rosto de Igreja à nossa Associação segundo o primado da Palavra, a centralidade da Eucaristia e a urgência da caridade? Como descrever o rosto actual do nosso grupo neste momento do caminho?

Vamos reformular a pergunta para nós: qual foi o caminho percorrido, à luz do dom de estar em comunhão dentro da Igreja com um carisma próprio da valorização da pessoa que sofre?

  

Avaliação e programação do apostolado.

A principal atitude que deve ser cultivada é o discernimento em relação à nossa identidade de Associação, identidade de Igreja na situação presente e perante os desafios que nos esperam.

Esta atitude está bem patente na regra de vida, que recebemos quando terminaram os Exercícios Espirituais. Ao herdarmos o dom concedido a mons. Luís Novarese, devemos declarar mais uma vez a firme vontade de seguir o Senhor até Jerusalém, até à cruz e ressurreição, de partilhar com Maria o estar junto da cruz e a comunhão do Pentecostes, consolidando o nosso caminho associativo, através duma fidelidade ao Evangelho e à espiritualidade do CVS mais decidida.

Isto quer dizer não se habituar a viver uma espiritualidade, não se habituar a gestos salvíficos, não se resignar ao sofrimento. Depois de tantos anos de história e de vitalidade, mesmo a nossa Associação, responde a certas necessidades de modo habitual e previsto (por exemplo, a táctica apostólica: “o doente por meio do doente”, a referência aos pedidos em Lourdes e em Fátima, a presença do Irmão e da Irmã junto do sofredor). Tudo isto entra no âmbito do dar e ter da existência sem romper o enredo; mas discernir significa fazer também atenção aquelas situações nas quais o irmão, a irmã e as suas necessidades nos colocam perante uma situação nova, incómoda, imprevista, para as quais as estruturas ordinárias não chegam. Situações perante as quais não há resposta imediata, e se nos coloca a questão sobre o que fazer, antes, se vale a pena fazer alguma coisa e como. A atenção que se deve ao irmão ou a irmã, refere-se não tanto a sua condição de saúde, mas acima de tudo a sua história que encontra a salvação.